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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

Já foste...

Uma das coisas mais valiosas que aprendi em 13 anos de actividade profissional foi o seguinte...

Respeito.

Saber respeitar quem estava perante mim para ser respeitado enquanto pessoa e profissional. Ok, também aprendi a localização de inúmeros tascos mas isso agora não vem ao caso. Pormenores (muito saborosos, mas mesmo assim, apenas pormenores)...

Aprecio visitar pessoas com quem lidei durante anos a fio. Saber o nome de cada uma delas, dos filhos, dos cães, dos gatos e dos periquitos. Receber um sorriso só porque sim. Porque durante anos os respeitei primeiro como pessoas e depois, como profissionais da sua área. E esse respeito é mútuo. Alimenta-me a alma. É sinal que fui bom naquilo que fiz e serei sempre reconhecido por isso.

Agora vejo-me do outro lado da barricada. Tenho responsabilidades acrescidas, muito que fazer e pouco tempo para o fazer. Mas nunca abdiquei do respeito. Continuo a respeitar quem está do outro lado porque eu fui todos eles. Conheço as frustrações, os sentimentos e as fraquezas. Se calhar, até melhor que eles mesmos.

No entanto, ocasionalmente surge alguém que desconhece o conceito de respeito. O meu conceito de respeito é relativamente simples. A bem, sou um gajo porreiro. Exigente, mas quando esclarecido, sou um paz de alma. Tudo flui naturalmente. A mal, sou os quatro Cavaleiros do Apocalipse em 1,75cm de gajo com mau feitio.

Não gosto de pessoas de nariz empinado. Não sei, deve ser o Síndrome de Cleópatra, sei lá eu. Da mesma forma que algumas pessoas continuam a ter o estereotipo de que como vão falar com alguém responsável por assinar o documento que lhes proporciona parte do vencimento, essa pessoa tem de estar de fato e gravata e não vestido de forma casual. Portanto, a coisa correu mais ou menos assim...

 

- Eu tenho uma reunião agendada... - disse ela com ar de dona do mundo.

- Verdade. Vou-lhe pedir para aguardar um momento, se possível.

- Ah, mas eu tenho outra reunião para daqui a 15 minutos. É inaceitável marcar reuniões para uma hora e não cumprir.

- Bem, nesse caso há duas opções. Pode ligar para o cliente seguinte e avisar que está ligeiramente atrasada ou pode ir para o seu cliente seguinte e borrifar-se para o cliente onde está.

- Não foi isso que eu disse.

- Lamento, mas foi exactamente isso que disse. Apenas escolheu as palavras de uma forma mais sensata mas o conteúdo é basicamente o mesmo. E já agora, se a reunião está atrasada provavelmente é porque a reunião anterior atrasou ligeiramente.

- Isso chama-se má gestão de tempo.

- Concordo. Se eu não estivesse aqui a gastar o meu latim consigo, provavelmente estava a terminar a reunião anterior e a sua não estava atrasada. Mas visto que demonstra tanto desprimor e falta de chá pelo cliente onde está, sugiro que não perca mais tempo.

- Isto não fica assim. - dizia ela enquanto pegava na pasta.

- Concordo em absoluto. Quando ligar para o seu chefe a dar conhecimento do ocorrido, mande cumprimentos meus. E diga-lhe que ele me deve um almoço vai para quatro anos...

 

Ficou branca como a cal.

 

- Sim, eu conheço bem o seu chefe. Melhor que você, certamente. E tenho alguma curiosidade em saber se ele tem conhecimento da forma de agir de algumas colaboradoras. E acredite, conhecendo-o como o conheço, posso desde já garantir-lhe que não.

 

Profissionalmente, o respeito demora anos a construir, segundos a destruir e os danos impossíveis de redimir.

Há quem aprenda isso da pior forma.

A bomba um dia rebenta...mesmo que quase um quarto de século depois

Sempre fui apologista do diálogo, desde que construtivo.

Mas também sou conhecedor do quão destrutiva uma frase pode ser dentro do pior contexto possível.

Hoje assisti ao desmoronar de 24 anos em 6 palavras. Foi como assistir a um daqueles eventos de dominós gigantes mas com uma pequena diferença. Em vez do empurrar de uma peça foi ver 10kg de C4 no meio das peças de dominó e o premir do respectivo detonador. Não foi uma imagem bonita.

Todos temos consciência do que dizemos. TODOS! Não me venham com psicologias de mercearia. Sabe-se exactamente o que se diz, o alvo que se pretende atingir e embora nem sempre se saiba a forma exacta de o fazer, mandar o barro à parede 300 vezes costuma ser a política mais comum. Provavelmente uma delas, há de acertar no alvo em cheio.

Depois? Bem, depois lida-se com as consequências. Ah, as consequências. Pois, isso já é outra história. Nem toda a gente que tem o dedo rápido no gatilho tem também arcaboiço para ouvir a posteriori algo de volta.

A solução mais comum é fazer de conta que nada se passou. Que tudo está na paz dos deuses. Não, meus caros.

O que assisti hoje, deu-me que pensar.

Há poucas coisas piores que a ingratidão. As pessoas esquecem-se com rapidez de tudo aquilo que as pessoas fazem de forma desinteressada. Até ao dia em que são alvo de um brutal reality check e precisam de alguém. Aí, sentem na pele a glamorosa sensação que é ser-se invisível aos olhos daqueles que outrora lhes estenderam a mão.

O ser humano é algo ingénuo por natureza. Mas não é parvo para sempre. E ninguém gosta de ser feito de parvo, mesmo passados 24 anos.

 

O Sr. Amável e o Sr. Gato Pardo "Não aguento tanta amabilidade num dia só..."

Posso dizer com alguma autoridade que já apanhei de quase tudo na estrada.

Mulheres a depilarem-se, homens a aparar as sobrancelhas, putos a sacar burriés do nariz do tamanho de travesseiros de sintra, até pessoal a fumar, vejam lá o escândalo.

Mas o que me mói mesmo as entranhas são os senhores amáveis.

Os senhores amáveis são aquela estirpe de condutor que quer ser tão amável mas tão amável que só apetece ultrapassar, guinar o carro à frente dele, sair, puxá-lo pelo vidro cá para fora e dar-lhe com a tola no capot do carro dele...só para ver se alguma da amabilidade sai pelas orelhas.

O senhor amável do Mercedes que ia à minha frente numa estrada nacional decidiu que estava na hora de ter alguma amabilidade para uns senhores que saíam de um parque. Trava o carro a fundo, quase que cria ali um acidente de proporções épicas, muita borracha queimada. Pessoal atrás de mim a apitar feitos loucos e eu ali metido no meio da embrulhada. Nada contra ser amável para com outras pessoas, mas quando a amabilidade vai de encontro a um sinal STOP, um parque de estacionamento de camiões TIR e um acesso a uma estrada nacional a coisa muda ligeiramente de figura.

6 camiões TIR depois, 3 cigarros fumados e ter amaldiçoado toda a família do Sr. Amável em silêncio, lá se seguiu caminho. 5 minutos depois, o Sr. Amável decidiu que ainda não se tinha armado em escuteiro em demasia para um dia só e saca da sua próxima boa acção. Parou numa passadeira...onde não se via vivalma...não se ouvia um som...nicles batatóides...isto porque não estava ninguém para atravessar a passadeira. Mas como estava a uma senhora no prédio ao lado da passadeira a estender roupa interior, ele decidiu parar ali uns minutitos não fosse dar à senhora uma quebra de tensão e ela cair da janela...do rés do chão!

Pronto, aí passei-me. Não me recordo na totalidade de tudo que verbalizei mas tinha algo a ver com o símbolo do Mercedes inserido em alguns orifícios sensíveis e o cabo de embraiagem à volta do pescoço. Coisas subtis, nada de muito puxadito...

Ok, a amabilidade faz parte do ser humano. Mas não exagerem, porra.

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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